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Abril
27
2017

​HU-UFGD amplia horários de visita em alguns setores e já constata benefícios

  Atualizada: 27/04/2017
Experiências na UTI Adulto e na Unidade de Atenção Psicossocial apontam melhora significativa no tratamento dos pacientes

Há cerca de um ano, o Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) implantou, na Unidade de Atenção Psicossocial (UAPS) e na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Adulto, a visita ampliada, que é uma proposta da Política Nacional de Humanização (PNH), garantindo mais tempo de contato e convivência dos familiares com o paciente internado. Agora, frente aos bons resultados alcançados, a proposta é estender o sistema de visita ampliada a outros setores, como a Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica.
 
No caso da UAPS, a visita ampliada tem o objetivo de garantir o elo entre o paciente, seu grupo familiar e social, e também os diversos serviços da rede de saúde, mantendo latente o projeto de vida do paciente e beneficiando diversos aspectos do próprio tratamento. Antes, as visitas se restringiam a apenas duas horas por dia, uma no período da manhã, outra à tarde. Agora, os pacientes podem receber visitas entre as 8h e as 18h.  
 
“Do ponto de vista fisiológico, a visita e o acompanhante estimulam a produção hormonal no paciente, diminuindo o seu estado de alerta e a ansiedade frente ao desconhecido, trazendo mais serenidade, confiança e, em consequência, uma resposta mais positiva aos tratamentos”, comenta a assistente social do HU-UFGD, Naara Aragão.
A UAPS tem, atualmente, seis leitos, destinados à internação de pacientes em surto psiquiátrico, sendo a única referência para os municípios da macrorregião de Dourados. A Unidade conta, ainda, com uma equipe multiprofissional formada por psicólogo, terapeuta ocupacional, assistente social, enfermeiro, dois técnicos de Enfermagem e três psiquiatras.
 
Já na UTI Adulto, são 14 leitos, ocupados, majoritariamente, por pacientes com doenças crônico-degenerativas, que, portanto, têm internações prolongadas. Enfermagem, Medicina, Fisioterapia, Psicologia, Nutrição, Odontologia e Farmácia integram o cuidado multiprofissional oferecido aos pacientes, contribuindo para que, cada vez mais, os familiares estejam presentes na rotina de cuidados da UTI.
 
Nesse setor, a visita ampliada é ofertada para pacientes conscientes, incapacitados de forma permanente ou temporária. Os acompanhantes chegam às 9 horas, permanecem até meio-dia, retornam às 14h30 e permanecem até às 20 horas, conforme a disponibilidade dos familiares. Sem a visita ampliada, o contato da família ficava restrito ao horário de visitas, com meia hora por período, totalizando apenas uma hora por dia.
 
Entre os benefícios constatados, está o fato de os familiares terem maior potencial para controle emocional e controle do Delirium, doença muito comum em pacientes com longa permanência em UTI, o que sempre foi um grande desafio para a equipe multiprofissional.
 
“O paciente internado na UTI, de maneira geral, sente muito medo e insegurança, além de ter uma fantasia de abandono, e a presença do familiar auxilia no controle da expressão destes sentimentos, trazendo maior conforto e segurança para o paciente.  Anteriormente, o tratamento do Delirium era centrado no medicamento, não considerando o contexto psicossocial do paciente. Ademais, a orientação espaço-temporal do paciente acompanhado pela família fica menos comprometida”, explica a psicóloga da UTI Adulto, Francyelle Marques de Lima. 
 
Benefícios para todos
 
Não apenas pacientes e familiares são diretamente beneficiados com as possibilidades que a visita ampliada apresenta, mas também os profissionais da equipe assistencial, em especial no que tange à dinâmica das relações dentro da UTI, como relata a psicóloga Francyelle: “É muito mais uma construção ideológica, do que de fato mudanças de infraestrutura, como a maioria pensa. A maior barreira para a efetivação da proposta é a mudança de concepção de cuidado. É histórico o registro de dificuldades na relação dos profissionais de saúde com os familiares e acompanhantes. A cartilha ‘Visita Aberta e Direito ao Acompanhante’, do Ministério da Saúde, de 2007, faz referência à concepção de que ‘família atrapalha’, e indica como devemos desconstruir essa ideia. Hoje, com as várias experiências que realizamos, percebo que este pensamento vem sendo desfeito aqui na UTI, e já não é raro é ouvirmos relatos como ‘ficou bem mais fácil cuidar dela depois que o esposo pode estar aqui junto com ela’, ‘ele come mais e melhor, quando é a irmã quem oferece’, ‘a paciente ficou mais confiante e mais à vontade depois que a mãe começou a ficar mais tempo aqui’... Está havendo uma mudança na antiga crença de que acompanhante atrapalha e, com a oportunidade de vivência, tem-se percebido como a família pode ser um grande aliado da equipe no cuidado de pessoas com agravos de saúde.”
 
Com o visitante mais tempo dentro da UTI, a equipe tem a oportunidade de se aproximar ainda mais do paciente e de conhecer sua história. “Nós preparamos o acompanhante para saber o que fazer durante uma intercorrência e durante os procedimentos que expõem a intimidade dos pacientes internados. Estabelece-se assim, uma relação maior de confiança e de cumplicidade. Em muitos casos, os acompanhantes mudam completamente a forma como veem a equipe, já que, depois de permanecer mais tempo dentro da UTI, podem ver como é difícil a rotina de trabalho dos profissionais, e passam a nos valorizar ainda mais”, avalia o enfermeiro da UTI Adulto, Tiago Amador Correia. 
 
Estendendo a proposta
 
De acordo com a superintendente do HU-UFGD, Mariana Croda, a implementação de projetos e ações em consonância com a PNH é uma das prioridades do hospital no ano de 2017. É nesse sentido que está sendo proposta a visita aberta e a permanência de acompanhante também na UTI Pediátrica.
 
A permanência de acompanhante em tempo integral, já é rotina na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) e na Pediatria, onde as crianças internadas podem ficar permanentemente acompanhadas, preferencialmente pela mãe. De acordo com o projeto que está sendo avaliado, crianças internadas na UTI Pediátrica também poderão ficar acompanhadas durante praticamente o dia todo.
 
“As crianças que apresentarem condição ou necessidade poderão ter o acompanhante – preferencialmente mãe ou pai – no período das 10 da manhã às oito da noite. A proposta está na fase de apresentação e avaliação, e, em seguida, haverá a fase de treinamento das equipes, que serão preparadas para acolher e relacionar-se com os familiares das crianças”, explica Cristiane de Sá Dan, enfermeira setorial da Linha Infantil.

Fonte: Unidade de Comunicação - HU-UFGD



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