acessibilidade

Início do conteúdo da página
Fevereiro
10
2026

FAIND dá posse a Celuniel Valiente, terceiro professor indígena da UFGD

  Atualizada: 10/02/2026
Momento foi permeado de parabenizações ao novo docente e homenagens à professora Graciela Chamorro, falecida nesta madrugada

celuniel

O reitor Jones com os três professores indígenas da UFGD: Celuniuel, Izaque e Eliel
 

Na manhã desta terça-feira (10/02), a Faculdade Intercultural Indígena da Universidade Federal da Grande Dourados (FAIND/UFGD) realizou a cerimônia de posse do professor Celuniel Aquino Valiente no cargo de docente. Egresso da UFGD, onde concluiu a Licenciatura Indígena Teko Arandu e a pós-graduação em Antropologia, Celuniel torna-se o terceiro professor indígena a integrar o quadro docente da instituição.


Em sua fala, Celuniel destacou que sua posse como professor da UFGD não é um mérito individual, mas uma conquista coletiva, dedicada a todas as pessoas que o incentivaram e apoiaram ao longo de sua trajetória. “Chego aqui hoje graças a uma ampla rede de pessoas que contribuíram para minha formação humana, intelectual e profissional”, afirmou. Ele agradeceu às pessoas que fizeram parte de sua trajetória acadêmica, desde a escola na aldeia, em Amambai, passando pelos colegas e professores do curso de Ciências Sociais da UEMS de Amambai, até os docentes da Universidade de São Paulo (USP), onde está concluindo o doutorado em Antropologia Social. Celuniel agradeceu ainda à família — ao pai, trabalhador do corte de cana e da colheita de maçã; à mãe, agente de saúde na Terra Indígena Guapoy/Amambai; à esposa e aos filhos — e às nhendesi e nhanderu, sábios que compartilharam com ele os conhecimentos da cultura e da cosmologia guarani.
 

A diretora da FAIND, professora Maria Aparecida Mendes de Oliveira (Lia), ressaltou que a cerimônia foi marcada por sentimentos distintos: a alegria pela posse de Celuniel e a tristeza pela despedida da professora Graciela Chamorro, uma das principais colaboradoras na construção do curso Teko Arandu. Lia lembrou que, neste ano, o curso completa 20 anos de existência, com uma trajetória marcada por muitos frutos, semeados por pessoas como Graciela. Ela recordou ainda que o professor Eliel Benites integrou a primeira turma do Teko Arandu e ressaltou que a posse de Celuniel é resultado dessa semeadura iniciada há mais de duas décadas.
 

O reitor Jones Dari Goettert parabenizou Celuniel e fez uma analogia ao afirmar que, no mesmo dia em que Graciela Chamorro fez sua passagem para uma nova vida em Yvy Marãe'y (Terra sem Males), Celuniel inicia uma nova etapa como professor universitário. Segundo o reitor, cabe a ele e aos alunos da FAIND ajudarem a manter vivo o legado de Graciela junto às novas gerações de estudantes. Jones afirmou que todos ali são intelectuais de suas comunidades e que a missão é levar ao mundo palavras que ajudem a compreender o sentido da existência, da produção, da terra e do território, a partir da sabedoria da cosmologia guarani.
 

O professor Eliel Benites, primeiro professor indígena da UFGD, afirmou que a despedida de Graciela e a chegada de Celuniel simbolizam uma árvore que germina suas sementes. “Nossa presença na universidade não é individual, mas coletiva. Celuniel, agora você representa nosso povo nos corredores desta universidade. Se a ciência tradicional seguiu caminhos que levaram a avanços tecnológicos acompanhados da degradação da natureza e da desigualdade social, nós somos o conhecimento guarani inserido nessa ciência, capaz de gerar consciência coletiva e novas concepções de vida em harmonia”, destacou.
 

O professor Izaque João, segundo professor indígena empossado na UFGD, também prestou homenagem a Celuniel e à professora Graciela Chamorro. “Para nós, Kaiowá, existem dois mundos: o físico e o espiritual. Todos faremos essa passagem, mas, enquanto estamos no mundo físico, temos atividades a cumprir, normas e tempos a respeitar. A professora Graciela foi fundamental para que eu pudesse ingressar no mestrado; ela me ensinou as atividades, as normas e os prazos. Hoje, ela entra no território espiritual, e Celuniel entra na universidade para caminhar com seus alunos”, afirmou.
 

Para o pró-reitor de Gestão de Pessoas, Marcelo Matias de Almeida, a posse de Celuniel representa um marco não apenas para a UFGD, mas também para a história das universidades públicas brasileiras. Segundo ele, a chegada de mais um professor indígena à instituição é resultado da mobilização do movimento de professores indígenas de Mato Grosso do Sul e da mudança na política interna da universidade, que aprovou, em 2024, por meio do Conselho Universitário (COUNI), a reserva de vagas para docentes indígenas na FAIND.


Durante a cerimônia, o representante da Associação dos Docentes da UFGD (ADUF), professor Paulino Barroso Medina Junior, parabenizou Celuniel e afirmou que o sindicato espera que o corpo docente da universidade conte, cada vez mais, com professores indígenas. Ele destacou ainda que a ADUF está aberta para acolher e representar demandas específicas desses docentes.
 

Jornalismo ACS/UFGD
 

celuniel

Momento da assinatura do termo de posse em cargo público
 

celuniel

Os alunos receberam o novo professor com um jehovassa, prática tradicional de bênçãos, essencial em sua cosmologia e modo de vida.
 

celuniel

Parte da equipe de servidores que recebeu Celuniel
 

 

 



    Fotos