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Outubro
15
2020

​Extensão: Conheça o trabalho de professor fora da sala de aula

  Atualizada: 15/10/2020

No dia dos professores, docente da UFGD, Zefa Pereira, destaca uma das missões do educador: a promoção de transformações sociais

O dia 15 de outubro é uma data especial no Brasil, na qual se comemora o dia do professor. Mas o que realmente faz um professor de universidade pública? Muito mais do que “só dar aulas”, como se ouve, levianamente, por aí. Além das atividades de ensino dentro da sala de aula, este profissional precisa traçar um plano de trabalho que inclua projetos de pesquisa e extensão. É sobre essa última que vamos dar destaque e exemplificar o trabalho desenvolvido fora dos muros da universidade pelos professores.
 
Extensão, como o próprio nome sugere, é uma extensão da produção científica da universidade para a sociedade. É por meio dessas atividades que a comunidade tem acesso e contato com os saberes, produtos científicos e tecnológicos desenvolvidos na instituição, como um retorno para a população do investimento social na universidade. As atividades de extensão podem ser desenvolvidas de diversas formas, trabalhando em parceria com prefeituras, associações de bairros, ONG’s, hospitais, museus, comunidades periféricas, dentre outros.
 
Só no último ano, a UFGD desenvolveu 311 ações de extensão. Dentre os docentes, uma das professoras que mais desenvolve atividades extensionistas é Zefa Valdivina Pereira, da Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais. Uma de suas maiores motivações para o trabalho é poder auxiliar na transformação da vida das comunidades com as quais trabalha. “O grande estímulo é ver as famílias com quem trabalho felizes”, afirma.
 
PARCERIA COM COMUNIDADES INDÍGENAS
 
Um dos projetos de extensão coordenados por Zefa atualmente consiste na criação de um banco comunitário de sementes crioulas para os indígenas Guarani Kaiowá de Dourados. A reserva indígena está situada em uma área totalmente degradada, impossibilitando qualquer atividade tradicional. De acordo com a professora, a escassez de recursos naturais, a proximidade com a cidade e o elevado quadro de miséria fizeram com o Governo Federal declarasse a reserva, desde a década de 1990, como umas das áreas indígenas mais problemáticas do país devido ao registro de inúmeros casos de suicídios, motivados em sua maioria pela perda da perspectiva de vida no interior da reserva.
 
O banco de semente procura justamente contribuir com a diminuição desses fatores de destruição e melhoria na qualidade de vida e autoestima dessas pessoas. Como? Colaborando com a manutenção de sua cultura e hábitos alimentares de forma segura e saudável, uma vez que utilizam essas sementes não transgênicas e cultivam os alimentos de forma orgânica. Além disso, a produção excedente é comercializada em uma feira semanal organizada pelo grupo e isso possibilita geração de renda extra.
 
“Nosso trabalho promove o reavivamento da antiga prática de produzir alimentos através do uso de sementes crioulas, além da recuperação e multiplicação das sementes crioulas locais; a ampliação da participação das mulheres e dos jovens nos arranjos produtivos indígenas; a produção agroecológica, gerando segurança e soberania alimentar e renda com vista a ampliar o protagonismo dos jovens e mulheres indígenas na economia rural da região da Grande Dourados; o apoio às famílias, sobretudo as mais vulneráveis, a produzirem seus alimentos sem dependência da compra de sementes e utilizando-se dos princípios da agricultura de base ecológica”, explica Zefa.
 
AOS FUTUROS PROFESSORES
 
Todo esse projeto com a comunidade envolve a participação de servidores e estudantes da UFGD, propiciando uma formação completa que depende do estímulo do professor em trabalhar a extensão aliada à pesquisa e ao ensino em sala de aula.
 
Aos futuros professores que tenham interesse em trabalhar com extensão universitária, Zefa aconselha sempre uma linguagem simples que promova o diálogo entre os saberes: é preciso ter empatia com a comunidade e não levar um conhecimento pronto, mas sim trocar experiências e perguntar como se pode ajudar. “Doe seu tempo para esta comunidade e não faça ações isoladas em um único dia, por exemplo, desenvolvam ações que possam acompanhar o desenvolvimento da comunidade a longo prazo. A extensão precisa, acima de tudo, promover transformações sociais”, defende a professora.
 
SAIBA MAIS
 
O projeto “Uma estratégia para a segurança e soberania alimentar para as comunidades indígenas de etnia Guarani-Kaiowa de Dourados (MS)” tem apoio financeiro do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico);
 
Zefa Valdivina Pereira coordena, atualmente, mais três projetos de extensão, sendo:
- Projeto nascente viva: Ações socioeconômicas e ambientais para aldeia de Dourados;
- Feira de Sementes Crioulas de Juti (que foi adiado por causa da pandemia);
- Banco comunitário de sementes crioulas Lucinda Moretti, no município de Juti.
 
A UFGD possui uma Pró-reitoria de Extensão e Cultura (PROEX). Para saber mais sobre ações de extensão, editais, calendários, projetos em andamento, acesse a página: https://portal.ufgd.edu.br/pro-reitoria/proex/index.
 
 

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Inauguração da Casa de Sementes Tengatui Marangatu
 

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Formação em Agroecologia com as mulheres indígenas da Aldeia de Dourados
 

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Curso de beneficiamento de sementes na comunidade indígena da Aldeia de Dourados
 

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Curso de beneficiamento de sementes na comunidade indígena da Aldeia de Dourados
 

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Hortaliças produzidas pelas famílias integrantes da Casa de Sementes Tengatui Marangatu na Aldeia de Dourados
 

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Feira Agroecológica promovida pelas famílias integrantes da Casa de Sementes Tengatui Marangatu da Aldeia de Dourados
 

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Feira Agroecológica promovida pelas famílias integrantes da Casa de Sementes Tengatui Marangatu da Aldeia de Dourados