Início do conteúdo da página
Julho
14
2017
14
2017
Aula especial celebrou o Temity Ára, o dia do plantio, na Aldeia Te’yikuê
Atualizada: 14/07/2017
Desde 2008, a Aldeia Teý’ikuê, no município de Caarapó (MS), e as duas escolas da aldeia, Yvy Poty e Nhandejara Polo, convidam seus anciãos, os mestres tradicionais, nhanderu e nhandesy, para uma aula especial que acontece todo dia 24 de junho como cerimônia do Temity Ára (dia do plantio).
Por isso, na sexta-feira passada foi realizado mais uma vez o ritual do batismo de todas as sementes tradicionais que serão plantadas, além de praticadas as rezas para purificação das roças. A data marca o solstício de inverno e é o início do ano no calendário Guarani e Kaiowá.
De acordo com o professor Neimar Machado de Sousa, a UFGD e a Faculdade Intercultural Indígena são parceiras e realizadoras dessa aula especial. Ele conta que, segundo os professores indígenas, isto é necessário porque as plantas são consideradas como crianças recém-chegadas na comunidade e elas precisam ser recepcionadas com grande alegria e esperança para que produzam de forma saudável e satisfatória para o sustento da comunidade. O mestre tradicional Lídio Sanches lembra que alimentos saudáveis, sem venenos, tornam as pessoas saudáveis.
A semente plantada, quando estiver na época da colheita no caso do milho branco possibilita realizar o jerosy puku (ritual de longa duração) e jerosy mbyky (ritual de curta duração), assim reverenciam a Jakairá (divindade que cuida das plantas) porque dele se originou, segundo os antepassados, todas as sementes existentes na terra e, desta maneira, os Guarani e Kaiowá, realizam esta cerimonia para buscar a sua presença praticando o cultivo de maneira tradicional.
A preparação da cerimônia na Aldeia Teý’ikuê levou a semana toda e teve o envolvimento dos professores e estudantes. Entre os preparativos para o batismo das sementes, houve a preparação da chicha pela comunidade, servida durante a cerimônia.
No dia 24 houve uma aula dos rezadores sobre o fortalecimento da cultura e a práticas de ensino na tradição Guarani Kaiowá. No almoço foi servido cardápio tradicional: locro (canjica com carne), chicha (bebida tradicional), pirekái (mandioca assado), jety mbichy (batata assada), avati mbichy (milho verde assado), pira mbichy (peixe assado) e outras iguarias.
No período da tarde, após o almoço, foi realizado o batismo da terra e o plantio do milho branco na Unidade Experimental da Escola, espaço de roça e de aula onde os alunos do ensino fundamental vivenciam o contato com a terra e a produção de alimentos. A manutenção desta prática pela comunidade é momento de reflexão e aprendizado sobre a importância da compreensão da cosmologia Guarani e Kaiowá.
O Temity Ára indica que está a caminho a primavera, chamada da Áry Poty, pelos Kaiowá, e que, portanto é preciso começar a preparar a terra e as sementes, para o plantio após o tempo da neblina e dos trovões, Áry Ratatina, que antecede as chuvas, momento em que a terra já deve estar semeada, pois os agricultores Kaiowá e Guarani já não podem sair cedo de casa.
Se todos os cuidados forem seguidos ritualmente virá o tempo da colheita, Áry vy’a, ha’e avei áry rory, te’ýi jusu vy’aha. Assim, o tempo reiniciará um novo ciclo, a natureza se renovará, evitando o colapso do mundo, graças à prática dos rituais sagrados.
Fonte: Neimar Machado de Souza
Por isso, na sexta-feira passada foi realizado mais uma vez o ritual do batismo de todas as sementes tradicionais que serão plantadas, além de praticadas as rezas para purificação das roças. A data marca o solstício de inverno e é o início do ano no calendário Guarani e Kaiowá.
De acordo com o professor Neimar Machado de Sousa, a UFGD e a Faculdade Intercultural Indígena são parceiras e realizadoras dessa aula especial. Ele conta que, segundo os professores indígenas, isto é necessário porque as plantas são consideradas como crianças recém-chegadas na comunidade e elas precisam ser recepcionadas com grande alegria e esperança para que produzam de forma saudável e satisfatória para o sustento da comunidade. O mestre tradicional Lídio Sanches lembra que alimentos saudáveis, sem venenos, tornam as pessoas saudáveis.
A semente plantada, quando estiver na época da colheita no caso do milho branco possibilita realizar o jerosy puku (ritual de longa duração) e jerosy mbyky (ritual de curta duração), assim reverenciam a Jakairá (divindade que cuida das plantas) porque dele se originou, segundo os antepassados, todas as sementes existentes na terra e, desta maneira, os Guarani e Kaiowá, realizam esta cerimonia para buscar a sua presença praticando o cultivo de maneira tradicional.
A preparação da cerimônia na Aldeia Teý’ikuê levou a semana toda e teve o envolvimento dos professores e estudantes. Entre os preparativos para o batismo das sementes, houve a preparação da chicha pela comunidade, servida durante a cerimônia.
No dia 24 houve uma aula dos rezadores sobre o fortalecimento da cultura e a práticas de ensino na tradição Guarani Kaiowá. No almoço foi servido cardápio tradicional: locro (canjica com carne), chicha (bebida tradicional), pirekái (mandioca assado), jety mbichy (batata assada), avati mbichy (milho verde assado), pira mbichy (peixe assado) e outras iguarias.
No período da tarde, após o almoço, foi realizado o batismo da terra e o plantio do milho branco na Unidade Experimental da Escola, espaço de roça e de aula onde os alunos do ensino fundamental vivenciam o contato com a terra e a produção de alimentos. A manutenção desta prática pela comunidade é momento de reflexão e aprendizado sobre a importância da compreensão da cosmologia Guarani e Kaiowá.
O Temity Ára indica que está a caminho a primavera, chamada da Áry Poty, pelos Kaiowá, e que, portanto é preciso começar a preparar a terra e as sementes, para o plantio após o tempo da neblina e dos trovões, Áry Ratatina, que antecede as chuvas, momento em que a terra já deve estar semeada, pois os agricultores Kaiowá e Guarani já não podem sair cedo de casa.
Se todos os cuidados forem seguidos ritualmente virá o tempo da colheita, Áry vy’a, ha’e avei áry rory, te’ýi jusu vy’aha. Assim, o tempo reiniciará um novo ciclo, a natureza se renovará, evitando o colapso do mundo, graças à prática dos rituais sagrados.
Fonte: Neimar Machado de Souza