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Novembro
04
2026

ENEPE 2026 reúne mais de 2,2 mil inscritos e debate o uso da inteligência artificial na produção científica

  Atualizada: 04/11/2026
Com 874 trabalhos inscritos, evento destaca a produção acadêmica da UFGD e promove reflexões sobre os desafios e as possibilidades da IA

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O pró-reitor de Extensão, Cássio Knapp, apresentou os números desta edição, destacando a expressiva participação da comunidade acadêmica
 

Com o tema “Universidade pública e inteligência artificial: desafios, possibilidades e perspectivas”, a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) realizou, na noite de terça-feira (03/11), a abertura do XX Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão (ENEPE 2026). A programação contou com solenidade institucional, apresentação cultural e palestra do professor Cauê Alves Martins, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), sobre “IA generativa como ferramenta útil para redação: além da ciência”.

 

A abertura também foi marcada pela apresentação musical dos estudantes Carlos Eduardo Soares da Silva, Marcelo Brites e Miguel Sorilha, participantes do Programa de Auxílio Artístico-Cultural, desenvolvido pela Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (PROAE) e pela Diretoria de Arte e Cultura (DAC). A programação da noite foi encerrada com um momento de coffee break para confraternização entre os participantes.

 

Durante a solenidade, o pró-reitor de Extensão, Cássio Knapp, apresentou os números desta edição, destacando a diversidade de trabalhos e a expressiva participação da comunidade acadêmica. “Os números impressionam. Esta edição está com 874 trabalhos científicos: são 517 trabalhos de iniciação científica, 91 trabalhos de pós-graduação, 199 trabalhos de extensão, 60 trabalhos de ensino e mais sete trabalhos da área de cultura. Temos 2.295 pessoas inscritas no evento. É bastante, se considerarmos o total da comunidade acadêmica da UFGD. São 1.337 estudantes de graduação, 324 estudantes de pós-graduação, 311 docentes, 44 técnicos, 115 estudantes participantes de outras instituições de ensino e 105 estudantes de ensino médio”, afirmou.

 

Na oportunidade, o reitor da UFGD, Etienne Biasotto, relacionou os resultados apresentados ao processo de reconstrução da universidade e destacou a importância do apoio financeiro para garantir condições de participação dos acadêmicos nos projetos de ensino, pesquisa e extensão. “Não é fácil chegar a um evento e trazer esses números. Isso é reflexo da reconstrução que a universidade tem feito a partir do contexto nacional. Então, enquanto o Cássio falava alguns números, eu me lembrava de que, antes de 2023, as bolsas para os estudantes da graduação eram no valor de 400 reais. Somente em 2023 foram reajustadas para 700 reais, porque antes era o processo de sucateamento da universidade”, ressaltou.

 

A solenidade também contou com a participação da pró-reitora de Ensino de Graduação (PROGRAD), Thissiane Fioreto; do pró-reitor de Pesquisa e Inovação (PROPI), Victor Hugo Rodrigues de Souza; e da coordenadora da Pós-Graduação Stricto Sensu, Rafaela Priscila Ota, que representou a Pró-Reitoria de Ensino de Pós-Graduação (PROPG). Os representantes deram as boas-vindas aos participantes e ressaltaram a importância da realização conjunta do ENEPE, que integra as diferentes áreas de atuação da universidade e fortalece a troca de conhecimentos e experiências.

 

IA GENERATIVA COMO FERRAMENTA ÚTIL PARA REDAÇÃO
 

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O professor Cauê Alves Martins convidou o público a refletir sobre o uso consciente da IA na produção acadêmica
 

“Parem de usar IA generativa sem pensar.” Foi com essa provocação que o professor Cauê Alves Martins, do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), iniciou a palestra “IA generativa como ferramenta útil para redação: além da ciência”, convidando o público a refletir sobre o uso consciente dessas tecnologias na produção acadêmica.

 

Durante a apresentação, o pesquisador demonstrou como a inteligência artificial generativa pode auxiliar diferentes etapas da redação, principalmente a busca e a organização de referências bibliográficas. Ao longo da palestra, apresentou ferramentas digitais que podem contribuir para essas tarefas, como Consensus, Google Acadêmico, Leap Space, Napkin, Litmaps, Elicit, SciSpace, Gencraft, Copilot no Word e Lovable. As demonstrações foram acompanhadas de orientações sobre as possibilidades e as limitações de cada recurso.

 

Apesar das facilidades oferecidas por essas tecnologias, Cauê alertou para os riscos de confiar integralmente nos conteúdos gerados por inteligência artificial, especialmente na interpretação de resultados e nas análises estatísticas. Segundo ele, é fundamental que os pesquisadores dominem os princípios da escrita científica antes de recorrer a essas ferramentas. “O melhor é aprender o texto científico com as referências no assunto, ou seja, com seus professores, complementando com referências nacionais como Gilson Volpato (USP, Unesp, IGVEC) e, internacionais, como Kristin Sainani (Stanford Medicine), para depois utilizar a IA. O texto, a discussão, a figura precisam de você, porque a IA generativa não sabe redação científica”, enfatizou.

 

O palestrante também apresentou problemas recorrentes nos textos produzidos por inteligência artificial, como excesso de palavras, repetições, uso exagerado de adjetivos e expressões positivas sem conteúdo relevante. Entre as limitações apontadas estão, ainda, o emprego inadequado de orações subordinadas adjetivas explicativas no lugar das restritivas, o uso frequente da voz passiva, o distanciamento entre o sujeito e a ação, o excesso de travessões e erros na representação de subíndices e outros elementos de notação científica, que podem ser convertidos incorretamente em caracteres alfanuméricos.

Nesse contexto, a palestra reforçou a importância da integridade científica, da transparência e da segurança da informação no uso da inteligência artificial. A principal orientação foi a de que essas tecnologias devem funcionar como ferramentas de apoio, sem substituir a análise crítica, a responsabilidade dos pesquisadores e o rigor metodológico necessários à produção do conhecimento.

 

NOVOS MODOS DE LER, ESCREVER E ENSINAR

Na sexta-feira (6/11), a partir das 13h30, no Auditório Central da UFGD, localizado na Unidade 2 (Cidade Universitária), o encerramento do ENEPE contará com a palestra “Novos modos de ler, escrever e ensinar: IA, ética e formação universitária”, ministrada pelos professores Edilaine Buin (UFGD/CNPq) e Marcos LS Góis (UFGD), da Faculdade de Comunicação, Artes e Letras (FALE).

 

A conferência abordará as transformações provocadas pela inteligência artificial generativa nas práticas de leitura, escrita e ensino, especialmente na formação de estudantes e professores. O debate buscará compreender como a universidade pode acompanhar essas mudanças de maneira crítica, sem rejeitar as novas tecnologias nem incorporá-las de forma indiscriminada.

 

Entre os assuntos discutidos estarão os desafios relacionados à autoria, às relações de poder, aos vieses algorítmicos e à crescente dependência de plataformas privadas. Os palestrantes também analisarão as implicações pedagógicas dessas ferramentas e seus efeitos sobre a autonomia de estudantes e professores na construção do conhecimento.

 

A apresentação será fundamentada em dados e experiências do projeto interinstitucional “Inteligência Artificial no Ensino de Leitura e Escrita e na Formação de Professores” (IALEF — Processo CNPq nº 409998/2025-7), desenvolvido na UFGD. A pesquisa contribuirá para a discussão sobre possibilidades de integrar a inteligência artificial às práticas educacionais de forma crítica e pedagogicamente significativa.

 

 

APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS

Além das palestras, a programação dos quatro dias, das 7h às 17h, contará com apresentações de trabalhos desenvolvidos nas áreas de ensino, pesquisa, extensão, cultura e pós-graduação. 

 

OFICINAS 

O ENEPE 2026 também oferece oficinas voltadas à inteligência artificial, à pesquisa científica, à inovação e à formação acadêmica, iniciadas na terça-feira (03/11). Na quinta-feira (05/11), estão previstas quatro atividades: “Zotero: software de gerenciamento bibliográfico”, das 8h às 11h; “Fontes de informação e estratégias de pesquisa”, das 9h às 11h; “Inteligência artificial como apoio à prática docente”, das 13h30 às 17h; e uma segunda oficina sobre “Fontes de informação e estratégias de pesquisa”, das 14h às 16h.

 

Já na sexta-feira (06/11), último dia do evento, será oferecida mais uma edição da oficina “Fontes de informação e estratégias de pesquisa”, das 9h às 11h.

 

SOBRE O EVENTO

O ENEPE é um espaço de integração da comunidade universitária, que possibilita a troca de experiências, a divulgação de resultados de projetos acadêmicos e a valorização das contribuições científicas, sociais e culturais da UFGD.

 

As inscrições para participar do XX ENEPE permanecem abertas até 6 de novembro e podem ser realizadas pela página oficial do evento. 

 

Divisão de Jornalismo e Divulgação do Conhecimento – DJOC/DADIC/GABRTR/UFGD



Fotos: Ricardo Zanella  (DJOC/DADIC)

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Parte da decoração de boas-vindas no saguão do auditório
 

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Apresentação musical do estudante Carlos Eduardo Soares da Silva, participante do Programa de Auxílio Artístico-Cultural
 

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Estudantes Marcelo Brites e Miguel Sorilha, participantes do Programa de Auxílio Artístico-Cultural
 

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O reitor da UFGD, Etienne Biasotto, relacionou os resultados do ENEPE ao processo de reconstrução da universidade
 

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Apresentação musical dos estudantes Marcelo Brites e Miguel Sorilha, participantes do Programa de Auxílio Artístico-Cultural
 

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Esta edição do ENEPE reuniu 2.295 pessoas para apresentação de trabalhos e participação de oficinas e palestras
 

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Professor Cauê Alves Martins, do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)
 

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Parte da equipe de organizadores do evento