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2019
“A UFGD é patrimônio do Mato Grosso do Sul”, orgulha-se professor que também é egresso

Quando se fala em qualidade de educação, junto ao tripé pesquisa-ensino-extensão, um elemento fundamental para autoavaliação de uma Universidade é o desempenho de seus egressos. É comum que o diploma seja visto como corte do vínculo entre o estudante e o novo profissional. Mas a UFGD se importa com o sucesso de seus ex-alunos e, aproveitando a ocasião de seu aniversário de 14 anos, comemorado no último dia 29, apresenta um feedback de como anda a vida no mercado de trabalho de alguns deles. Uma dessas pessoas é arte-educadora e empreendedora, os outros dois são professores, apaixonados pela UFGD e testemunhas dessa jovem história que ainda tem muito por acontecer.
Arami Marschner se formou, em 2014, na segunda turma de Artes Cênicas da UFGD. Acompanhou, portanto, a luta pela estruturação do curso e comemorou cada conquista, como o prédio de artes cênicas ou a contratação de novos professores. Sua participação na Universidade não se limitou às aulas regulares da graduação: também participou de projetos de extensão que fizeram diferença em sua formação, como o projeto "Teatro da Terra", realizado no assentamento Itamarati e o projeto "Cantos e Danças Guarani e Kaiowa" em aldeias e acampamentos de Dourados e região. “Todas estas influências me levaram a entender as artes e o teatro como recurso para demandas e urgências de uma sociedade, em muitos sentidos, carente de apreciação estética e sensibilidade poética”.
Atualmente, Arami é professora de teatro e compõe a equipe de gestão do Casulo, espaço de cultura e arte que oferece oficinas culturais, produz e abriga projetos e eventos artísticos. Também é responsável pela agenda de eventos e pela idealização de projetos. “A parte menos artística, que é esta da produção, entrou na minha vida agora com o Casulo, portanto apanho e aprendo todo tempo ainda com este novo ofício”, confessa, provando que é possível continuar aprendendo e se inovando mesmo depois da formação.
O curso de Artes Cênicas da UFGD é o único em Dourados. Segundo Arami, as consequências desta formação transbordam em espaços culturais, profissionais em arte-educação nas escolas e profissionais criando linguagens artísticas sobre a própria região. “‘Ser artista’ é, muitas vezes, uma condição de vida e é possível em qualquer lugar do mundo, nem sempre se escolhe ser. Agora, estudar arte ou Artes Cênicas, no caso da UFGD, é uma escolha que qualquer pessoa pode tomar, se considerando ou não artista. Mas como estudante em Artes Cênicas é necessário ter discurso e ação para resistir a estes momentos sombrios que cercam e se apropriam da Universidade e das politicas culturais”, destaca a educadora.

Espaço de arte e cultura mostra a versatilidade de quem se forma em Artes Cênicas
Bons filhos à casa tornam
Desses 14 anos de UFGD, Fabiano Coelho completa, este ano, 12 de vivência na Universidade. Hoje professor do curso de História, também já esteve na instituição como estudante e como técnico-administrativo. Em 2008 ingressou no Mestrado em História, em 2010 passou no concurso para técnico, em 2011 entrou na primeira turma do Doutorado em História e, em 2015, passou a fazer parte do quadro de professores da instituição. “Sou privilegiado por vivenciar experiências nos três seguimentos que formam a ‘Comunidade UFGD’, pois tive a oportunidade de dialogar, expandir minha visão sobre a Universidade (suas rotinas de trabalho, cotidiano, potencialidades e fragilidades) e construir ações coletivas nos três segmentos”.
Ainda na condição de técnico-administrativo e aluno do curso de Doutorado, Fabiano foi professor voluntário na Licenciatura em Ciências Sociais do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), um dos cursos diferenciais da UFGD para alunos acampados e assentados do Mato Grosso do Sul. “Foi uma experiência incrível, um aprendizado enorme. Tenho lembranças valorosas dos três segmentos que vivenciei, é difícil mensurar e elencá-las”.
Uma jovem Universidade
“O que mais me chamou a atenção, de início, na UFGD, foi o fato de ela ser uma universidade nova, em construção. Muitos prédios sendo erguidos, professores e técnicos administrativos chegando, cursos de graduação e pós-graduação sendo criados e uma diversidade de ‘gentes’”, afirma Fabiano. “A UFGD nasceu sob um novo signo, rompendo com alguns vícios entranhados em universidades mais antigas. O que me encantava, além do ensino gratuito e de qualidade, era o compromisso social, de uma universidade que se fundamentava pela inclusão, pela valorização da diversidade. A Universidade não é homogênea, e entendo que não deve ser, a pluralidade de ideias tem que ser respeitada. Mas a coletividade e os princípios democráticos são balizas inegociáveis em uma universidade que pretende ser inclusiva, de todas e de todos”, complementa o docente.
Responsabilidade
Reiterando a importância do desempenho dos profissionais formados pela Universidade, há aqueles que também entendem a responsabilidade que carregam por serem “filhos” da UFGD. Outro caso de professor que foi graduado na instituição, Tiago Botelho, hoje é docente no curso de Direito. Formado em História em 2007, voltou à UFGD em 2008 para cursar a pós-graduação em Direitos Humanos e Cidadania na FADIR. É professor da mesma faculdade desde 2015. “Ser docente da Universidade que lhe fez professor é uma dupla responsabilidade, pois o sucesso da Instituição passa duplamente por você; pelo aluno que fui e pelo professor que sou. Sempre que posso, digo; tenho imenso orgulho de ser professor da mesma Universidade que me formei. Sou muito feliz na UFGD!”, comemora o professor.
Filho de professora, acostumado aos ideais da educação que liberta, difundida por Paulo Freire, Tiago despertou logo cedo o interesse pela docência. “Ser professor em um país que não valoriza a educação e seus educadores é uma escolha política de vida, de resistir, em especial aos governos autoritários que desvalorizam a importância da ciência”, destaca Tiago, sobre as motivações da carreira que segue.
Novos estudantes
Quando o assunto é fazer “propaganda” da Universidade, Tiago estimula novos estudantes com bastante convicção. “A UFGD é patrimônio do Mato Grosso do Sul. A história do estado, que também é nova (1977), está ligada à da Universidade, pois a educação se faz pilar essencial para construção da sociedade sul mato-grossense”. Para ele, escolher a UFGD como diploma da graduação é optar pelo interior do país que, apesar das dificuldades, possui seus milhares de encantos e qualidades. “Por estar em uma cidade com a segunda maior população indígena do país, a plurietnicidade é uma característica positiva do município, apesar de negada cotidianamente. A FADIR, composta pelos cursos de Direito e Relações Internacionais, garante uma formação humana, crítica e cidadã”, finaliza.
Fabiano também é bastante convidativo em relação a novos estudantes. “A UFGD é uma universidade que tem uma história linda, nasceu para gerar oportunidades, fomentar sonhos. Aqui o aluno e a aluna terão educação gratuita e de qualidade. A UFGD nasceu para ser inclusiva, diversa e plural. Nasceu para ser coletiva e democrática. Sou suspeito, mas quem pensa fazer um curso superior ou pós-graduação, venha para a UFGD e contribua na construção dessa linda universidade”.
Jornalismo ACS/UFGD